Fechando o livro

“…e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz;” Colossenses 3:14

Quando eu era criança, costumávamos passar as férias de verão na praia, onde morava minha tia, irmã de minha mãe. A viagem era pura aventura. Um dia antes, meu pai mandava um motorista com meus irmãos homens, de caminhão ou camionete levar a imensa bagagem, pois a família era grande. Minha tia era viúva e morava com uma filha solteira. Levava uma vida com muitas dificuldades, mas assim que chegávamos em sua casa, meu pai falava: Cunhada, feche o livro!

O famoso livro era das despesas mensais de minha tia. O dinheiro era contado. Mas enquanto estávamos ali meu pai assumia todas as despesas da casa. Até o dinheiro para as contas posteriores de água, luz e gás era deixado para que em nada nossa família ficasse devedora e minha querida tia ficasse em apuros. Não esqueço o amor com que éramos recebidos e hospedados. E assim passávamos dias maravilhosos de sol, praia e muita alegria e diversão. Hoje, quando nos reunimos em família nas festas de final de ano, conservamos a mesma atitude para com minha mãe. Aprendemos e colocamos em prática as boas maneiras que meu pai ensinou.

Lembrando desse tempo tão bom e saudável, fico pensando no livro das minhas dívidas para com meu Pai celeste. Por mais que eu tente, com meus esforços, irei continuar eternamente devedora. Mas um dia, Deus, por sua infinita misericórdia mandou seu Filho pagar minha conta e fechar meu livro de débitos. Minha dívida não foi paga com dinheiro ou cartão de crédito, mas com seu sangue precioso, dolorosamente derramado na cruz. Hoje, redimida, restaurada e renovada, sigo a vida tentando acertar, tentando ser melhor, tentando ser grata por tamanho amor, por tamanho crédito colocado imerecidamente em minha conta.

Como é precioso saber que Deus me conhece e sabe das minhas dores e que vai continuar ao meu lado, me ajudando e consolando, até o dia em que, finalmente, me levará para um lugar de prazer e refrigério, de sol eterno, em que minhas aventuras na praia com minha família se tornarão uma pálida representação da verdadeira alegria e comunhão permanente com Aquele que um dia fechou meu livro de dívidas e creditou o amor de Jesus em meu coração. Um amor que durará por toda a eternidade.

Meu pai descansou das suas lutas há alguns dias. Há muitos anos, em um ato de amor e misericórdia, Deus fechou o livro das suas dívidas  e, por isso estamos consolados, sabendo que ele já está desfrutando de férias eternas ao lado do Senhor. E enquanto choro o luto de perdas inestimáveis, me consolo sabendo que Deus me vê com amor e me dá esperança, também, de férias eternas ao Seu lado!

Férias na praia, um doce momento! Férias no céu, um eterno prazer! Aleluia!

Zelene Reis

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