Me Acorde de um Jeito Diferente!

“Eu me deito e durmo, e torno a acordar, porque é o Senhor que me sustém”. Sl 3:5

Alguns anos atrás, meu neto, então com 8 anos, nos surpreendeu com esta fala: “Mamãe, por favor, me acorde de um jeito diferente. Você sempre fala a mesma coisa. Parece que decorou um texto para uma peça de teatro e fica repetindo a mesma coisa todo dia.” Estávamos almoçando e ficamos sem entender como ele queria ser acordado. Nem ele sabia. Só queria uma coisa nova. Não imaginávamos que em pouco mais de 3 anos o vovô, que tentou entender a situação, estaria acordando de um jeito totalmente diferente.

Meu neto estava entediado, cansado das mesmas coisas, assim como nós que, muitas vezes, não sabemos o que queremos, mas queremos sair da rotina. Talvez um novo emprego, uma nova casa, uma viagem, trocar os móveis, o carro ou outra coisa que nos satisfaça. Nunca estamos plenamente satisfeitos. Quantas vezes vamos dormir na esperança do novo dia trazer novidades boas, com todos os nossos problemas resolvidos.

Queremos acordar sem remorso, sem o peso das más ações cometidas no dia anterior. Queremos não ouvir o eco de palavras rancorosas ditas em momentos de ira. Queremos acordar em paz, com o sol brilhando, os pássaros cantando, o sono saciado, a mente descansada. E, se possível, livres da pandemia e do terrível Coronavírus.

Num antigo filme chamado “ O feitiço do tempo”, um repórter, interpretado pelo ator Bill Muray, vai cobrir o Dia da Marmota em uma cidade na Pensilvânia. Ele acaba por ficar “preso” no dia da marmota, que tanto detesta: todo dia, quando acorda, a data se repete. Então ele vai se adaptando ao ciclo vicioso, endireitando algumas coisas, curando alguns relacionamentos e até se tornando um exímio pianista, pois tem o tempo de sobra à sua disposição. Mas, no mundo real, o tempo passa, a noite cai, a manhã chega e continuamos a acordar do mesmo modo, com ou sem esperança, doentes ou saudáveis, gratos ou maldizentes.

Quando o episódio com meu neto aconteceu, nossa realidade era outra. Não havia pandemia, nem um vírus ameaçador desestabilizando o mundo e ceifando milhares e milhares de vidas. Pensando nisto hoje, fico imaginando como foi para o vovô ser acordado pelo nosso Salvador, de um jeito totalmente diferente. Dormindo aqui e acordando no céu. Deitando a cabeça com o peso dos pensamentos e acordando leve. Dormindo com medo e inseguro, sem saber se acordaria na terra,  mas acordando em paz, nos braços do Pai.

Então, nós que continuamos aqui, que possamos agradecer todos os dias por acordarmos com vida. Com dores, mas com vida. Com problemas, mas com vida. E enquanto há vida, há esperança de levarmos outros à Cristo para que tenham o privilégio de, quando chegar o dia final, acordar com o mais amoroso toque do nosso Salvador.

Que isso nos faça dormir e acordar em paz!!!

 

Zelene Reis

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